EUA reforçam tese de vazamento de laboratório como origem da Covid-19, enquanto ciência segue dividida

EUA reforçam tese de vazamento de laboratório como origem da Covid-19, enquanto ciência segue dividida

EUA reforçam tese de vazamento de laboratório como origem da Covid-19, enquanto ciência segue dividida

Quase seis anos após os primeiros casos registrados em Wuhan, na China, a origem da Covid-19 segue em aberto — e os Estados Unidos mudaram oficialmente de posição sobre o tema. Em abril de 2025, a Casa Branca passou a defender publicamente que o SARS-CoV-2 não teria surgido naturalmente de animais, mas escapado de um laboratório, e em julho de 2026 a administração americana divulgou um resumo abrangente das conclusões do Subcomitê Seleto da Câmara sobre a Pandemia de Coronavírus, que conduziu uma investigação de dois anos sobre o assunto.

A posição americana se apoia em cinco pontos listados na página oficial da Casa Branca: o vírus teria uma característica biológica "não encontrada na natureza"; todos os casos derivariam de uma única introdução do vírus em humanos; Wuhan abrigaria o principal laboratório de pesquisa de SARS da China, com histórico de pesquisas de ganho de função (gain-of-function) em níveis inadequados de biossegurança; pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan (WIV) teriam apresentado sintomas semelhantes aos da Covid-19 no outono de 2019; e nenhuma evidência conclusiva de origem natural teria surgido até agora. O relatório final do subcomitê, de dezembro de 2024, concluiu que um incidente relacionado a laboratório é a origem mais provável da pandemia. Em janeiro de 2025, a CIA também alterou sua avaliação, passando a considerar o vazamento mais provável que a transmissão natural — decisão baseada em nova análise de relatórios já disponíveis, sem coleta de informações inéditas.

A mudança de posição americana reacendeu o debate global e tensionou as relações com a China, que rejeita a tese. No plano científico, porém, não há consenso: em junho de 2025, o grupo consultivo científico da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que "o peso das evidências disponíveis" sugere transmissão zoonótica — diretamente de morcegos ou por meio de um hospedeiro intermediário. A divergência entre a posição oficial dos EUA e a avaliação de organismos científicos internacionais indica que a questão deve continuar influenciando a diplomacia sanitária e as investigações nos próximos anos.

No campo das responsabilidades, o foco americano recai sobre o WIV e sobre a EcoHealth Alliance, organização dos EUA que, segundo o Congresso, teria usado recursos públicos de bolsas do Instituto Nacional de Saúde (NIH) para financiar pesquisas de ganho de função em Wuhan, com supostas violações dos termos do financiamento. A Casa Branca também acusa o ex-diretor do NIAID, Anthony Fauci, de ter incentivado a publicação do estudo "The Proximal Origin of SARS-CoV-2" (2020) para reforçar a narrativa de origem natural. Fauci voltou ao Congresso em julho de 2026 para depor sobre o tema, enquanto cientistas independentes ressaltam que nenhuma evidência conclusiva foi apresentada publicamente até o momento para confirmar o vazamento.

Enquanto os EUA consolidam a tese do vazamento e apontam responsáveis, a comunidade científica internacional permanece dividida, com a OMS sustentando a hipótese zoonótica. Sem dados conclusivos acessíveis publicamente, a origem da pandemia — e a eventual responsabilização — segue em aberto, dependendo de novas evidências e do desenrolar das investigações em curso.