Hortolândia 35 anos: a ex-vila rural que se tornou potência tecnológica e econômica na RMC

Hortolândia 35 anos: a ex-vila rural que se tornou potência tecnológica e econômica na RMC

Hortolândia 35 anos: a ex-vila rural que se tornou potência tecnológica e econômica na RMC

No dia 19 de maio de 1991, Hortolândia deixava de ser um bairro de Sumaré para se tornar o mais jovem município da Região Metropolitana de Campinas. Trinta e cinco anos depois, a cidade de 237 mil habitantes — segundo projeções recentes — celebra não apenas sua maioridade institucional, mas uma das trajetórias de crescimento mais impressionantes do interior paulista.

O que era área de canaviais e chácaras deu lugar a um polo de tecnologia, logística e indústria farmacêutica que hoje figura entre os municípios mais dinâmicos do estado. Os números não deixam margem para dúvidas: a transformação é real, medida e celebrada por quem vive e investe na cidade.

Se há um termo que define a economia de Hortolândia nos últimos 15 anos, é diversificação. Dados do IBGE indicam que o PIB municipal gira em torno de R$ 23 bilhões, com um PIB per capita de R$ 77.357,50 — valor que coloca a cidade na 53ª posição entre os 645 municípios paulistas, à frente de dezenas de cidades com história econômica muito mais longa.

O motor desse crescimento está na combinação de três vetores:

Tecnologia e data centers — Hortolândia se consolidou como a "Capital da Tecnologia" da RMC, atraindo gigantes globais que transformaram a paisagem com complexos de data centers de última geração. A chinesa ZTE, uma das maiores empresas de telecomunicações do mundo, mantém operações na cidade e discute planos de expansão.

Indústria farmacêutica e química — O setor responde por cerca de 8% do PIB municipal e, segundo a InvestSP, Hortolândia foi classificada como a melhor cidade do Brasil para fazer negócios na área da saúde. O segmento de fabricação de produtos farmoquímicos está entre os que mais empregam na cidade.

Logística e comércio — A localização privilegiada, às margens de rodovias estratégicas e a poucos quilômetros do Aeroporto Internacional de Viracopos, fez de Hortolândia um hub logístico natural. O comércio varejista emprega atualmente mais de 12,4 mil trabalhadores, e a cidade soma mais de 500 indústrias instaladas, 2 mil pontos comerciais e dois shopping centers.

Os números do emprego reforçam o ritmo: o CAGED registrou em 2024 um saldo positivo superior a mil vagas, e a remuneração média dos trabalhadores chega a R$ 4.071,16, com 43,6% de participação feminina no mercado formal.

Mas o desenvolvimento de Hortolândia não se mede apenas em cifras. A cidade investiu na contrapartida social do crescimento econômico. Parques urbanos foram revitalizados — como o Parque Socioambiental Chico Mendes e o Parque do Irmão Dagoberto —, transformando antigas áreas ociosas em espaços de convivência, lazer e prática esportiva.

Na educação, a cidade expandiu a oferta de vagas em tempo integral e firmou parcerias com instituições de ensino superior, como a Estácio, que mantém polo na região. A qualificação profissional passou a ser tratada como política pública estratégica, vinculada diretamente às demandas do parque industrial local.

A segurança alimentar e o bem-estar também ganharam reforço com programas como o Banco de Alimentos e a ampliação da rede de saúde pública. A cidade foi recentemente reconhecida pela revista Veja como uma das melhores do Brasil para se viver, selo que reflete o equilíbrio entre crescimento econômico e qualidade de vida.

Aos 35 anos, Hortolândia enfrenta desafios típicos de uma cidade que cresceu rápido: mobilidade urbana, saneamento básico em áreas de expansão e a pressão sobre os serviços públicos. A prefeitura lançou em 2025 o Portal de Dados Econômicos, uma ferramenta de transparência que permite a investidores e cidadãos acompanhar em tempo real os indicadores municipais — um sinal de que a gestão pública busca profissionalizar o planejamento urbano.

Outro desafio estratégico é conciliar o avanço industrial com a sustentabilidade ambiental. A discussão sobre a expansão de polos tecnológicos e data centers — conhecidos pelo alto consumo energético — já pauta o debate sobre fontes renováveis e eficiência energética no município.

Para os próximos anos, as metas incluem ampliar a integração com o ecossistema de inovação de Campinas, atrair startups de base tecnológica e consolidar o Parque Tecnológico como vetor de emprego qualificado para as novas gerações.

Hortolândia completa 35 anos como um caso raro de planejamento e oportunidade. Em menos de quatro décadas, deixou de ser um distrito agrícola para se firmar como um dos polos mais promissores da Região Metropolitana de Campinas — sem perder, contudo, o senso de pertencimento que caracteriza as cidades que se reconstruíram a partir do esforço coletivo.

Seu maior ativo, no fim das contas, não está nos números do PIB nem nos data centers. Está na frase que ecoa entre os moradores e que poderia muito bem ser o lema destes 35 anos: uma cidade que cresce a cada dia pela qualidade de seu povo.